|
O empresário Wagner Canhedo Filho - presidente do sindicato dos empresários de ônibus do DF e dono da empresa Viplan, detentora da maior e da mais velha frota de veículos do sistema de transporte coletivo da cidade - alegou na Câmara Legislativa diversas dificuldades para a sua empresa cumprir com a obrigação de retirar as sucatas da Viplan de circulação. Segundo Canhedo, a empresa opera com restrições de ordem financeira e se não houver um aumento do valor das tarifas de ônibus não será possível adquirir novos veículos para melhorar os serviços prestados aos usuários do transporte coletivo.
Diante das declarações do empresário, desvendar qual é o faturamento da Viplan e quais são os valores dos seus custos operacionais passou a ser uma necessidade vital. Apenas com a total transparência dessas informações será possível saber se o empresário Canhedo possui alguma razão de reclamar dos supostos prejuízos na exploração dos serviços de transporte no DF. Por isso, acabo de protocolar projeto de lei com essa proposta. Algumas informações divulgadas por órgãos do GDF permitem avaliar se há algum fundamento nas reclamações do dono da Viplan. Veja abaixo: Os custos da VIPLAN: o Secretário de Fazenda do DF, Valdivino Oliveira, quando da discussão da lei que isentou as empresas de ônibus do pagamento de ICMS na compra de óleo diesel, revelou que o custo quilômetro das operadoras do sistema de transporte sem a cobrança do ICMS sobre o óleo diesel consumido seria de R$ 2,37. Com base nesse custo quilômetro é possível estimar quanto a Viplan gasta para percorrer os itinerários das suas linhas de ônibus. A Secretaria de Transportes, no projeto básico constante da Concorrência Pública nº 02/2007 (Anexo I), informa que a Viplan percorre por mês uma média de quatro milhões de quilômetros. Pode-se dizer então que o custo operacional mensal da empresa para percorrer quatro milhões de quilômetros ao custo de R$ 2,37/Km seja de R$ 9,4 milhões. Quanto ganha a VIPLAN no STPC/DF: o sistema convencional de transporte, operado exclusivamente por ônibus, atende aproximadamente 574 mil passageiros pagantes por dia. A Secretaria de Transportes projeta que a remuneração média por veículo de uma empresa de ônibus exploradora do sistema de transporte seja de R$ 580,75 por dia. Como a Viplan possui 639 veículos em operação no STPC/DF e recebe como remuneração por veículo/dia, é possível estimar o faturamento mensal da empresa. Levando em conta essas informações, o faturamento mensal da Viplan é da ordem de R$ 11,1 milhões. Portanto, a empresa gasta R$ 9,4 milhões/mês e fatura algo em torno de R$ 11,1 milhões/mês. O lucro mensal é da ordem de R$ 1,7 milhão. Representa 15% sobre o faturamento mensal. Nenhuma aplicação financeira tradicional proporciona tamanho retorno de capital. A cada ano o lucro anual da Viplan pode ser estimado em R$ 20,4 milhões. É bom que se diga que no valor do custo quilometro estão incluídas todas as despesas operacionais, administrativas e de remuneração das empresas de ônibus. Na planilha dos custos médios unitários dos serviços de transporte estão previstas despesas como combustíveis e lubrificantes; pessoal; carga tributária local e federal; bem como a remuneração da frota e a depreciação do capital. A remuneração da frota e a depreciação de capital, incluídas na planilha tarifária, são os recursos que permitem ao empresário o pagamento do capital investido na prestação do serviço. Por isso, é difícil acreditar que empresas de ônibus, a Viplan em particular, não possam renovar seus veículos por causa de problemas relacionados a faturamento/custo. FORA VIPLAN!: o empresário Wagner Canhedo não tem razão de reclamar de supostos prejuízos e deveria ser banido da qualidade de operador do sistema de transporte. Uma lei para as empresas de ônibus serem obrigadas a divulgar custos e resultados financeiros: a obrigatoriedade, através de lei, da divulgação anual do balanço operacional e financeiro de cada uma das empresas de ônibus operadoras do nosso sistema de transporte coletivo seria uma excelente medida de transparência na discussão dos custos e do valor das tarifas. Em razão disso, torna-se urgente a aprovação do projeto de lei que obriga as empresas de ônibus a divulgarem seus balanços financeiros e operacionais. Deputado Patrício, vice-presidente da Câmara Legislativa
|