PDOT
14 de  Maio de  2009

Com cérebro e neurônios

 

        A Polícia Militar completou 200 anos esta semana. A data é significativa, respeitável, pois são poucas as instituições que podem comemorar esta idade. Comemorações à parte, para mim que sou parte desta corporação, a data suscita uma reflexão profunda:

        Que papel os policiais militares cumprem hoje na sociedade?

        Qual a credibilidade da corporação?

        Como são os homens que compõem a PM?

        Esses profissionais são felizes, realizados?

        Como chegar ao modelo ideal?

        Enfim, são muitas perguntas e a minha convicção é de que o sistema é deficitário e de que é preciso mudar. Compartilha esta opinião o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreli. Segunda-feira (11), durante lançamento da Feira de Conhecimento em Segurança Pública com Cidadania, ele foi claro. “No que pese o heroísmo de policiais civis, militares e federais, de nossos bombeiros e de nossos guardas municipais, a segurança pública brasileira é um verdadeiro desastre. Basta darmos uma olhadinha nas estatísticas para vermos que [o modelo] não tem funcionado nos últimos 40 anos”, afirmou o secretário.

        Falta de motivação ao profissional – com a ausência de incentivos primários, como a existência de um plano de cargos e salários e da gratificação de risco de vida – é o principal problema. Como ter uma instituição eficiente se seus integrantes trabalham desmotivados? Seja no serviço público ou no privado, isso é impossível.

        Falta de condições dignas de trabalho é outro fator que precisa ser destacado. Instalações depredadas, escalas de trabalho desumanas, sistema hierárquico que humilha os policiais: tudo isso é realidade no DF. Incentivos financeiros, como reajustes anuais e política habitacional, são um caminho para incentivar a motivação. Apesar dos policiais serem profissionais que têm o talento no sangue, esse sentimento não paga mensalidade de colégio, aluguel ou compra de supermercado. Por isso foram importantes as conquistas do nível superior para ingresso superior na corporação e o curso de tecnólogo.

        Defendo também a desmilitarização da polícia e a unificação das instituições. Somente juntos somos capazes de vencer o tráfico, o crime organizado e audácia dos bandidos que não temem mais a punição.

        O Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci), desenvolvido pelo governo Lula junto aos estados, é uma luz no fim do túnel. Invertendo prioridades, ele atua muito mais na valorização do profissional do que na repressão. E tenho certeza que os resultados virão. Até 2012, serão investidos R$ 6 bilhões.

        Lamentável o governo local insistir em fazer o contrário, desrespeitando o policial em diversas situações. Copiando Balestreli, eu uso também o adjetivo “desastroso” para qualificar a atuação do governador Arruda e de seus subordinados na área da Segurança no DF. Quem sabe ele se sensibiliza com a data e ouve os conselhos de Balestreli. O secretário disse na segunda-feira: “Para superar o atual quadro, é necessário que os gestores ajam mais com ‘cérebro e neurônios’ do que com ‘fígado e bílis’”.

        Deputado Patrício,

        vice-presidente da Câmara Legislativa


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