|
Leia a matéria veiculada pelo Bom Dia Brasil, da Rede Globo, nesta sexta-feira (05): Em Brasília, mais um escândalo, mais um flagrante do suposto esquema de distribuição de propina do partido dos Democratas. Foi a prisão de um suspeito de tentar subornar uma testemunha do escândalo do mensalão do Democratas de Brasília. O jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra, é o pivô deste novo capítulo. Ele é amigo de Durval Barbosa, aquele que denunciou o suposto esquema de corrupção.
Em entrevista exclusiva à TV Globo, o jornalista Edson dos Santos, o Sombra, revelou o que disse à Polícia Federal. De acordo com ele, o governador José Roberto Arruda mandou interlocutores com uma oferta de suborno. O pagamento seria feito da seguinte forma: “R$ 1 milhão seria em dinheiro vivo, R$ 400 mil hoje, três parcelas de R$ 200 mil. Mais R$ 250 mil de mídia/mês”.
Em troca, ele afirmou que teria que dizer à Polícia Federal que as gravações que mostram políticos e empresários recebendo dinheiro teriam sido manipuladas e que seriam uma farsa para incriminar o governador Arruda e aliados dele. Sombra contou que primeiro foi procurado pelo deputado distrital Geraldo Naves.
“Ele veio aqui e disse que estava vindo a mando do governador Arruda, que precisava de ajuda para sair da crise em que se encontra. Pedi que houvesse uma prova. Ele me trouxe um bilhete feito pelo governador. É fácil identificar a letra dele”, garante o jornalista.
O bilhete vai passar por perícia da Polícia Federal. Tem seis itens. Em um deles, na frente do nome Geraldo, a frase: “Tá valendo”. Em seguida: “GDF, OK”.
O deputado Geraldo Naves nega a história. “É um mentira, uma infâmia enorme. Primeiro que o encontro que houve um bilhete - e esse bilhete houve sim - mas não para levar suborno, não para levar uma proposta indecorosa. Tanto é que eu entreguei o bilhete amigavelmente como ele me pediu”, afirma o deputado distrital Geraldo Naves.
Na entrevista, Sombra disse que não quis negociar com o deputado Naves. Ele sugeriu que o negócio fosse acertado com Wellington Moraes, que aparece em um vídeo gravado pelo jornalista. Mas quem acabou concluindo a suposta negociação em nome do governador José Roberto Arruda foi Antonio Bento, integrante do Conselho Fiscal do Metrô de Brasília e gerente comercial do jornal “O distrital”, onde trabalha Edson Sombra.
Edson Sombra procurou a Polícia Federal e contou a tentativa de suborno. Foi em um depoimento no dia 21 de janeiro. Sombra entregou o bilhete que seria do governador e também 12 vídeos que ele mesmo gravou. Foi aí que a polícia passou acompanhar a negociação.
A polícia gravou o que seria o momento em que um suposto emissário do governador José Roberto Arruda entregaria a Edson Sombra R$ 200 mil em dinheiro. Antonio Bento foi preso com uma sacola em que estava o dinheiro. Em depoimento, de acordo com investigadores, ele teria dito que o dinheiro para pagar Sombra veio das mãos de Rodrigo Arantes, sobrinho do governador, que aparece no vídeo que gerou o escândalo.
O secretário de comunicação, Wellington moraes, disse que foi procurado por Edson Sombra para intermediar um encontro com o governador Arruda, mas que o pedido foi negado. Já o governador José Roberto Arruda divulgou nota negando qualquer envolvimento na suposta tentativa de suborno. Disse que houve uma armação por parte do grupo de Durval Barbosa e que Antônio Bento, preso hoje, é empregado do jornalista Edson Sombra, íntimo colaborar de Durval Barbosa. Bancada do PT reage As novas denúncias podem comprometer ainda mais o governador Arruda e revelar um possível envolvimento também do deputado Geraldo Naves, que, além de líder do Governo na Câmara Legislativa, é presidente da CCJ, membro da CPI e da Comissão de Ética. Isso significa que ele faz parte das comissões mais importantes da Casa atualmente, pois vai participar das investigações na CPI, da análise dos processos de impeachment na CCJ e dos processos de quebra de decoro parlamentar na Comissão de Ética. Além, é claro, de representar os interesses de Arruda como líder do Governo.
Diante disso, a Bancada do PT vai esperar que o deputado Geraldo Naves se licencie dessas comissões. Caso não tome essa atitude até segunda-feira (08), os deputados do PT irão apresentar um requerimento para tentar garantir que Geraldo Naves esteja afastado de todas as funções relacionadas às investigações da Operação Caixa de Pandora. "Essas novas denúncias colocam sob suspeição a participação do deputado Geraldo Naves nesses processos", afirma Paulo Tadeu, líder do PT.
|